A Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, recebeu, no passado dia 8 de outubro, a primeira edição de “Questões do Nosso Tempo”, uma iniciativa do Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas, organizada em colaboração com a UBI e a Câmara Municipal da Covilhã. O encontro reuniu diplomatas, académicos, especialistas e uma expressiva participação da comunidade estudantil para debater os principais desafios da atualidade internacional, desde a crise do multilateralismo aos conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente, passando pelo posicionamento da América Latina na nova ordem geopolítica.
Perante uma participação significativa da comunidade académica, o colóquio procurou aproximar o debate diplomático do meio universitário, proporcionando aos estudantes a oportunidade de contactar diretamente com especialistas e representantes de diferentes países. Ao longo de três painéis, foram analisadas as transformações do sistema internacional, os desafios à segurança global e as oportunidades de afirmação da América Latina num contexto de crescente competição entre potências.
A sessão de abertura contou com as intervenções da Reitora da UBI, Ana Paula Coelho Duarte, do Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro, e do Presidente do IPDAL, Paulo Neves. Os três responsáveis destacaram a importância da cooperação institucional e do diálogo na resposta aos desafios contemporâneos. Paulo Neves salientou o papel da diplomacia local e a necessidade de reforçar os mecanismos multilaterais, apelando também a uma maior participação das novas gerações na discussão dos assuntos internacionais.
O primeiro painel, “A Nova Ordem Global e a Crise do Multilateralismo”, reuniu Nuno Severiano Teixeira, Conselheiro de Estado, Liliana Reis, Professora da UBI, e Paulo Neves, Presidente do IPDAL, numa conversa moderada por Bruno Ferreira Costa, Vice-Reitor da Universidade da Beira Interior. A discussão incidiu sobre a reconfiguração dos equilíbrios de poder, a crescente rivalidade entre potências e as dificuldades enfrentadas pelas instituições multilaterais. Os intervenientes analisaram ainda o impacto destas transformações na cooperação internacional e a necessidade de adaptar os mecanismos de governação global a uma realidade cada vez mais complexa e multipolar.
A guerra na Ucrânia e as tensões no Médio Oriente estiveram no centro do segundo painel, “Frentes de Guerra e de Tensão: Ucrânia e Médio Oriente”, que contou com a participação da Embaixadora da Ucrânia em Portugal, Maryna Mykhailenko, e do Professor Jorge Tavares da Silva, novamente sob moderação de Bruno Ferreira Costa. A diplomata ucraniana abordou a evolução do conflito no seu país e as consequências da invasão russa para a segurança europeia, sublinhando a resistência da população ucraniana e a importância do apoio internacional. O debate alargou-se aos desafios da segurança coletiva, ao papel do Direito Internacional e à necessidade de reforçar a capacidade das organizações internacionais para prevenir e resolver conflitos.
A América Latina assumiu o protagonismo no terceiro e último painel, “O Regresso do Gigante Silencioso: A América Latina na Encruzilhada Geopolítica”, moderado pelo Presidente do IPDAL, Paulo Neves. A sessão reuniu os Embaixadores do Paraguai, Raul Silvero, do Panamá, José Javier Mulino Quintero, de El Salvador, Rhina Bardi, de Cuba, José Ramón Saborido Loidi e da Colômbia, Germán Grisales, para analisar o posicionamento da região num sistema internacional cada vez mais multipolar.
A discussão evidenciou a diversidade de realidades políticas, económicas e sociais da América Latina, bem como os desafios associados à integração regional e à projeção internacional dos seus países. Entre os temas abordados estiveram a soberania, a segurança, o desenvolvimento económico, a cooperação diplomática e a diversificação das relações comerciais. Num contexto marcado pela crescente influência de diferentes potências na região, os representantes diplomáticos refletiram sobre as oportunidades de reforçar o peso político e económico da América Latina nas decisões internacionais.
A forte participação da comunidade académica marcou esta primeira edição, que proporcionou um espaço de debate entre estudantes, diplomatas e especialistas. A iniciativa permitiu aproximar as questões da política internacional do contexto universitário, promovendo o contacto com diferentes perspetivas sobre os acontecimentos que moldam o atual sistema internacional.
Com a realização de “Questões do Nosso Tempo”, o IPDAL reforçou a sua aposta na promoção do diálogo internacional e na aproximação entre a diplomacia, a academia e a sociedade civil. A iniciativa deu ainda continuidade ao trabalho desenvolvido pelo Instituto no aprofundamento das relações entre Portugal e os países da América Latina e Caraíbas, valorizando o debate informado e a cooperação como instrumentos essenciais para compreender os desafios da atualidade.













