A 12.ª edição dos Atlantic Dialogues decorreu nos dias 11, 12 e 13 de dezembro de 2025, em Rabat, Marrocos. O fórum foi organizado pelo Policy Center for the New South, parceiro estratégico do IPDAL, e reuniu líderes políticos, académicos e representantes da sociedade civil de diversas regiões do espaço atlântico, com o objetivo de debater os principais desafios da ordem internacional contemporânea.
Gastón Ocampo, Secretário-Geral do nosso Instituto, participou no painel “The Wider Atlantic: Building Partnerships in an Era of Instability”, inserido no lançamento da 12.ª edição do relatório Atlantic Currents. A sessão destacou os principais padrões que estão a reconfigurar o Atlântico Alargado, nomeadamente a fragmentação geopolítica, as transições energéticas e as assimetrias regionais persistentes, sublinhando a urgência de construir novas pontes políticas, económicas e institucionais entre África, Europa e as Américas, num contexto marcado por instabilidade e competição estratégica crescente.
Ainda no primeiro dia, a sessão plenária “Can Democracy Deliver in a Post-Trust World?” contou com a intervenção de Suzi Barboza, membro do Conselho Consultivo do IPDAL. O debate centrou-se nos múltiplos desafios enfrentados pelas democracias num contexto de crises acumuladas, marcado pela erosão da confiança nas instituições e nos líderes políticos. Foram analisados fatores como o aumento das desigualdades económicas, a polarização política e a disseminação da desinformação, que têm fragilizado a perceção da capacidade dos sistemas democráticos para garantir estabilidade e legitimidade. A sessão procurou identificar caminhos para a renovação democrática, com especial enfoque na resiliência institucional, na inovação em governação, no reforço da participação cívica e na responsabilidade social, questionando até que ponto a democracia pode reinventar-se como um modelo mais inclusivo, transparente e responsivo às expectativas dos cidadãos, beneficiando também da cooperação internacional.
Por sua vez, Carmenza Jaramillo, Presidente do Conselho Consultivo do IPDAL, participou no Plenário VIII – “America First, Negotiation Room for Others?”, que integrou a sessão de abertura. O painel analisou de que forma a política “America First”, central durante a administração Trump, reconfigurou a política externa e interna dos Estados Unidos, com impactos profundos e abrangentes na ordem internacional. Foram discutidas as implicações desta abordagem nas alianças tradicionais, nos acordos comerciais, na assistência oficial ao desenvolvimento, nas políticas migratórias, nas negociações climáticas e na governação da inteligência artificial. Para além de desafiar normas diplomáticas consolidadas e afetar a credibilidade da liderança norte-americana, o debate sublinhou que esta política levou outros países a reavaliar as suas estratégias de relacionamento com os Estados Unidos, criando oportunidades de adaptação, experimentação e afirmação de espaços alternativos de negociação e influência no sistema internacional.
A presença vincada do IPDAL nos Atlantic Dialogues 2025 reforça o compromisso do Instituto com a promoção do diálogo internacional, a construção de pontes e a cooperação multilateral no espaço atlântico, bem como o fortalecimento da sua aliança estratégica com o Policy Center for the New South.



