O IPDAL realizou, no dia 7 de outubro, mais uma edição da sua Rentrée Política, que teve como convidado José Luís Carneiro, Secretário-Geral do Partido Socialista. A sessão, moderada pelo Presidente do IPDAL, Paulo Neves, reuniu representantes diplomáticos e outros convidados para uma conversa centrada na atualidade política portuguesa, nos desafios geopolíticos e no posicionamento de Portugal no contexto internacional.
Na abertura do encontro, Paulo Neves destacou a presença de vários Embaixadores e representantes diplomáticos e a oportunidade de conhecer as posições do líder do Partido Socialista não apenas sobre a realidade nacional, mas também sobre os principais temas da agenda internacional.
Na sua intervenção, José Luís Carneiro começou por salientar o momento particularmente exigente vivido pela comunidade internacional, defendendo a importância do multilateralismo, do diálogo e da cooperação. Segundo o Secretário-Geral do PS, a desvalorização destes princípios representa também um risco para a paz e para a estabilidade da ordem internacional.
No plano nacional, afirmou que o Partido Socialista pretende contribuir para a estabilidade política em Portugal, enquadrando nesse objetivo a proposta de abstenção no Orçamento do Estado. Sublinhou, contudo, que a estabilidade não constitui um fim em si mesma, devendo permitir responder a desafios concretos do país e às necessidades da população.
A intervenção abordou ainda os atuais riscos geopolíticos, desde a situação nas fronteiras da Europa à instabilidade no Médio Oriente, bem como os efeitos das tensões comerciais e do crescente fechamento das economias. Neste contexto, José Luís Carneiro reiterou a defesa do direito internacional, enquanto elemento essencial para evitar que as relações entre Estados sejam determinadas exclusivamente por relações de força.
As relações entre a Europa e a América Latina ocuparam um lugar de destaque na sessão. José Luís Carneiro defendeu que o reforço da autonomia estratégica europeia deve ser acompanhado por relações estruturadas e mutuamente benéficas com outras regiões, nomeadamente África, América Latina, Médio Oriente e Ásia. Neste âmbito, destacou o potencial das redes de conhecimento, da mobilidade académica e da cooperação entre instituições de ensino e investigação.
O Secretário-Geral do PS salientou igualmente a relevância da cooperação triangular, particularmente entre países latino-americanos, centro-americanos e africanos, identificando áreas como os recursos estratégicos, o setor agroalimentar, a saúde, a biotecnologia e a economia do mar como setores com elevado potencial de colaboração.
Questionado sobre as relações entre a União Europeia e a América Latina, José Luís Carneiro manifestou uma perspetiva favorável ao aprofundamento das oportunidades proporcionadas pelo acordo UE–Mercosul e ao acordo modernizado entre a União Europeia e o México. Referiu ainda as relações com o Peru e defendeu instrumentos europeus de cooperação mais simples e eficazes, capazes de facilitar a concretização de projetos e o envolvimento do setor privado.
Durante o debate, José Luís Carneiro recuperou o conceito de “poder funcional”, associado a Adriano Moreira, para refletir sobre o papel dos pequenos e médios Estados no sistema internacional. Na sua perspetiva, Portugal pode assumir uma função de articulação e diálogo, tirando partido da sua dimensão marítima, da diáspora e das relações históricas que mantém com diferentes regiões do mundo.
A língua e a cultura foram também apontadas como importantes instrumentos de projeção internacional. Neste quadro, destacou o potencial resultante da articulação entre os espaços lusófono e ibero-americano, defendendo que a Ibero-América deve continuar a constituir uma prioridade da política externa portuguesa, a par da CPLP, do Norte de África, do Médio Oriente e de uma maior aproximação à Ásia.
A sessão terminou com uma reflexão sobre o papel de Portugal no Conselho de Segurança das Nações Unidas, tendo José Luís Carneiro identificado a paz na Ucrânia e a paz no Médio Oriente como duas prioridades centrais, atendendo ao impacto que ambos os conflitos podem exercer sobre a ordem internacional.
A Rentrée Política do IPDAL voltou, assim, a proporcionar um espaço de diálogo entre o meio político e diplomático, promovendo a discussão sobre os desafios que marcam a atualidade nacional e internacional e sobre o papel de Portugal na construção de relações de cooperação, diálogo e multilateralismo.





