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A parceria estratégica entre União Europeia (UE) e Brasil, a ser lançada na cimeira de Lisboa, quarta-feira, deverá ajudar o conjunto das relações do bloco europeu com a América do Sul, especialmente com o Mercosul, na avaliação do governo brasileiro.


«Tanto num cenário de conclusão da Ronda de Doha, que nós preferimos, como num cenário de eventual fracasso, as negociações com a União Europeia são muito importantes, e este diálogo estratégico vai ajudar. Mas não temos nenhuma pretensão de substituirmos o conjunto do Mercosul», afirmou o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, em entrevista exclusiva à Agência Lusa.

Amorim diz acreditar que no segundo semestre deste ano, durante a Presidência Portuguesa da UE, os dois blocos já estarão a discutir um acordo de livre comércio, ao contrário da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), que o Brasil não tem o menor interesse em ressuscitar.

O chefe da diplomacia brasileira aposta na retoma em breve das negociações do Mercosul com a UE, porque Doha, considerada fundamental para analisar qualquer acordo comercial, está próxima de um desfecho, seja ele qual for.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil ainda tem esperanças de que a Ronda possa ser concluída, o que facilitaria, na sua opinião, um acordo da UE com o Mercosul.

«Espero que a Ronda de Doha seja aprovada ainda no governo Bush», destacou Amorim, que acredita na renovação do «fast-track».

O «fast-track», que acaba no próximo dia 01, é um mecanismo que permite ao Executivo norte-americano negociar acordos comerciais sem passar pelo Congresso .

Se não houver um acordo da Ronda de Doha, o governo brasileiro considera que aumentarão os casos de solução de controvérsias dentro da Organização Mundial do Comércio (OMC).

«A OMC será mais um tribunal que um fórum de negociações», prevê o ministro brasileiro.

Sobre o facto de ter sido Portugal a propor a parceria estratégica da Europa com o Brasil, Celso Amorim disse que «esta iniciativa tem a ver com a relação histórica entre os dois países».

«Portugal é, sempre foi e continuará a ser um parceiro especial do Brasil. A iniciativa portuguesa foi extremamente importante, mas as decisões da Europa não se tomam levianamente só para agradar este ou aquele Estado-membro. Ficamos contentes porque foi uma decisão referendada pelo conjunto de países da União Europeia», completou.

Segundo Amorim, a nova parceria irá suprir a falta de um diálogo de alto nível estruturado entre o bloco europeu e o maior país da América Latina.

«Haverá novos olhares recíprocos, como convém que seja em todas as relações internacionais. O Brasil era o pequeno tijolo dos BRICs que faltava no diálogo mais elevado com a União Europeia», assinalou.

Diário Digital / Lusa