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Francisco Seixas da Costa Memorando de entendimento entre o Brasil e a União Europeia deve ser assinado a 4 de julho, uma iniciativa de Portugal que pode reaproximar a UE da América Latina.

Brasília – O Embaixador de Portugal no Brasil, Francisco Seixas da Costa, acredita que "dar um papel central ao Brasil" no relacionamento entre a União Europeia (UE) e a América Latina "é fazer com que a UE volte a olhar para a América do Sul". A convicção do diplomata português foi manifestada por Seixas da Costa ao Jornal do Brasil, segundo o qual a UE e o Brasil devem assinar no dia 4 de julho um memorando de entendimento com as linhas gerais de um acordo que elevará o Brasil ao patamar de "parceiro estratégico" do bloco europeu.


De acordo com o Embaixador português, as áreas a serem mais exploradas serão biocombustíveis, aquecimento global, tecnologia de informação e comunicação, transporte aéreo e marítimo e a participação do Brasil no Galileo, programa europeu de localização via satélite concorrente do norte-americano GPS. A parceria incentivará ainda o intercâmbio entre universidades e empresários.

O texto do memorando já está nas mãos da Comissão Europeia (órgão da UE que é presidido pelo ex-primeiro-ministro português Durão Barroso) e é aguardado pelo Brasil. A iniciativa é de Portugal, que exercerá a presidência temporária da UE entre julho e dezembro. No segundo semestre Portugal ficará então com uma dupla liderança simbólica do espaço comum europeu, já que serão dois portugueses à frente da UE (Durão Barroso na Comissão Europeia e o primeiro-ministro José Sócrates na presidência rotativa da UE).

Com a parceria estratégica que deverá ser iniciada a 4 de julho, complementou Seixas da Costa, evita-se que o relacionamento entre a América Latina e a UE fique refém da política
agrícola europeia e das delicadas questões internas do bloco sul-americano.

O Embaixador português negou, entretanto, que o processo possa ser cancelado por pressão
de parte dos membros da UE que tenham interesses comerciais divergentes aos das posições brasileiras, segundo noticiou o Jornal do Brasil. Disse que a Comissão Europeia já optou pela parceria, decisão considerada irreversível. Argumentou ainda que os países que têm maior peso na UE são favoráveis ao projecto.

Para o Embaixador Everton Vieira Vargas, subsecretário-geral político do Ministério das Relações Exteriores, a parceria com os europeus proporcionará a abordagem de assuntos que contenham divergências num ambiente de "diálogo mais estruturado", escreveu ainda o mesmo jornal.
Portugal Digital de 23 de Maio de 2007