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O Relatório Macroeconómico da América Latina e Caraíbas de 2016, do Banco Interamericano de Desarrollo (BID), alerta para os riscos do crescimento negativo.

De acordo com o BID, muitos dos riscos discutidos nos relatórios anteriores materializaram-se. Com os preços das matérias-primas a caírem, é esperado este ano na região um crescimento negativo, de que se irá recuperar de forma relativamente lenta – a previsão para que as taxas de crescimento se equiparem aos níveis médios dominantes desde 1980, será até ao ano de 2020.

Para os exportadores de matérias-primas, a perda de receitas tem gerado pressões a nível fiscal e ao nível da balança de pagamentos, deixando claro o espaço limitado para políticas anti cíclicas fiscais e monetárias. Os governos nacionais devem focar-se numa forma de minimizar as consequências deste contexto para a continuação do crescimento e melhoria das condições socioeconómicas, em especial dos países mais vulneráveis.

A queda dos preços das matérias-primas – e o seu subsequente efeito no comércio de um grupo de países exportadores de matérias-primas – tem sido um factor muito significativo.

O gráfico 1 demonstra: i) as exportações das matérias-primas (industria mineira e energia); ii) exportações de bens manufaturados originários da agricultura e mineração; iii) exportações de outros produtos manufaturados, com os valores em percentagem dos PIBs, em 2013 e 2015.

Gráfico 1 – Exportações de matérias-primas e manufacturas

 

BID 2016 01

A descida nas exportações varia consideravelmente entre os países, sendo o Equador e Peru os mais afetados entre os países estudados. Nestes casos, dada a composição inicial das exportações será difícil que o aumento das outras exportações (como os bens manufaturados) substitua completamente o rendimento perdido nas matérias-primas.

Por outro lado, as exportações dos produtos manufaturados mexicanos têm aumentado e, apesar da recente queda dos preços do petróleo, o total dos três tipos de exportações aumentou em percentagem do PIB.

Note-se que, embora as exportações das matérias-primas tenham caído no Brasil, algumas exportações de produtos manufaturados têm tomado o seu lugar. Colômbia e Uruguai representam casos onde as exportações de matérias-primas diminuíram e os produtos manufaturados não têm aumentado o suficiente para substitui-las.

É sugerido pelo BID que os países procedam a uma revisão fundamental tanto da despesa como dos impostos. É necessário assegurar uma transição suave para os exportadores de matérias-primas com rendas líquidas externas mais baixas que possam exigir mudanças legais e até mesmo constitucionais de forma a assegurar a sustentabilidade orçamental a longo prazo e melhorar a sua eficiência, minimizando os impactos sobre o crescimento atual.

Ao mesmo tempo, seria essencial propor políticas impulsionadoras do crescimento potencial a médio prazo e um reequilíbrio fiscal de forma a aumentar os níveis de investimento.

A heterogeneidade na melhoria da agenda comercial é evidente, notando-se uma expansão de forma eficaz ao acesso do mercado, tanto dentro como fora da região, como mostra o Gráfico 2.

Gráfico 2 – Comércio com sócios preferenciais

BID 2016 02

Por exemplo, México, Chile, Peru e Colômbia têm construído uma ampla rede de acordos comerciais com parceiros, incluindo os mercados maiores e mais dinâmicos da Ásia.

A participação do comércio inter-regional aumentou de 13% para 20% antes da crise financeira. No entanto o valor de 20% é ainda baixo em comparação com a Ásia e Europa, que têm quotas comerciais interregionais de 47% e 60%, respectivamente.

Existe sempre a possibilidade da região não atingir necessariamente esses níveis devido à sua geografia e ao facto do seu produto padrão de comércio estar relacionado com as matérias-primas, mas certamente há espaço para o bom progresso no futuro. O objectivo principal é tornar a região mais competitiva em alguns produtos e mercados, de forma a aumentar também a captação investimento, em especial, o privado.