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O IPDAL divulga o relatório Regional Economic Outlook for the Western Hemisphere, do Fundo Monetário Internacional (FMI)com o tema “América Latina e Caraíbas: Recuperando da Recessão”.

O documento, publicado em Maio de 2017, aponta a saída gradual da região América Latina e as Caraíbas da recessão económica em que se encontra, enumerando ainda adversidades a enfrentar.

As economias da América Latina e Caraíbas encontram-se ainda a recuperar de uma recessão a nível regional e é esperado que a atividade volte gradualmente ao seu estado “normal” este ano e no próximo. A previsão é pior do que se previa em Outubro de 2016, com o crescimento médio a rondar os 2,6% por ano, assim como a diminuição da inflação em muitas economias.

A incerteza política a nível global tem vindo a aumentar devido à posição tomada pelos Estados Unidos da América relativamente ao México, criando uma desconfiança na economia e negócios mexicanos, assim como na América Latina. Nota-se então um crescimento de nacionalismo económico em economias avançadas e um potencial aperto das condições financeiras. Neste contexto internacional desafiante, é necessário impulsionar um crescimento mais sustentável e justo a médio prazo. Esta medida exigirá o reforço das reformas estruturais destinadas a reduzir as lacunas de infraestruturas, melhorando os resultados do ambiente de negócios, governação e educação; assim como encorajar a participação de trabalhadores do género feminino.

FMI Crescimento LATAM 2017 02

A depreciação real levou a um menor impulso de exportações e a uma maior redução de importações em relação ao ano passado, com a procura a deslocar-se para produtos produzidos localmente. Em conjunto, o efeito de rendimento e o efeito de mudança da despesa aliviaram a carga sobre a procura interna reduzindo assim o “índice de sacrifício” do ajuste externo para regimes de taxa de câmbio flexíveis na América Latina.

Em termos de partes globais, os fatores globais, nomeadamente os preços das commodities, estão fortemente associados aos movimentos cíclicos das entradas de capital nos mercados emergentes, isto aplica-se principalmente na América Latina. Ao mesmo tempo, os fatores estruturais específicos do país, como a boa governança e os fortes quadros institucionais e reguladores, desempenham um papel fundamental na atração de entradas em horizontes de longo prazo.

No que diz respeito às vulnerabilidades, os fluxos de capital em países com mercados financeiros mais profundos e bases de investidores domésticos estáveis e grandes apresentam menor sensibilidade aos choques externos, enquanto uma maior presença de investidores estrangeiros e contas de capital mais abertas aumentam essa sensibilidade.

A migração e os fluxos de remessas para a América Latina e as Caraíbas (ALC) – geralmente com os Estados Unidos como economia anfitriã – têm grandes ramificações económicas e sociais para os países de origem dos migrantes.

FMI Crescimento LATAM 2017

A emigração diminui o crescimento nos países de origem através da redução da oferta de mão-de-obra e de produtividade, no entanto as remessas enviadas pelos trabalhadores servem como fator atenuante, servindo como uma grande fonte estável de financiamento externo, principalmente na América Central e nas Caraíbas, e ajudando a amortecer o impacto dos choques económicos.

No entanto, a dependência das regiões nas remessas pode representar riscos para a estabilidade macroeconómica por razões cíclicas e, mais importante, de possíveis mudanças nas políticas relacionadas com a migração. Reformas específicas nos países de origem podem ajudar a reduzir a emigração e as suas consequências. Em particular, as reformas estruturais, que impulsionariam o grupo de trabalhadores altamente qualificados para promover a diversificação económica interna, reduziriam a “fuga de cérebros”.

Da mesma forma, dado o papel estabilizador e financeiro desempenhado pelas remessas, as políticas destinadas a reduzir os custos de transação devem ser apoiadas.

Para garantir um crescimento forte e inclusivo para o futuro da América Latina e Caraíbas, a região precisa de abordar lacunas na infraestrutura, melhorar os resultados da educação, fortalecer o ambiente empresarial e combater a corrupção.

 

 

Referências:

Regional Economic Outlook: Tale of Two Adjustments, IMF, Maio de 2017, http://www.imf.org/en/Publications/REO/WH/Issues/2017/05/10/wreo0517