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O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, disse hoje que Portugal espera corresponder às elevadas expectativas em torno da presidência portuguesa da União Europeia (UE), que começa no domingo, e termina a 31 de Dezembro.

«Sabemos que temos um desafio grande, mas a nossa expectativa é poder dar desenvolvimento ao que foi o excelente trabalho da presidência alemã», disse Luís Amado à agência Lusa, em Berlim, onde se deslocou para receber das mãos do seu homólogo germânico Frank-Walter Steinmeier o testemunho que marca a transição entre as duas presidências.

A simbólica cerimónia de passagem do testemunho decorreu no centro histórico de Berlim, junto à Porta de Brandenburgo, depois de os dois chefes da diplomacia terem participado numa reunião da Troika da UE com a Ásia Central, o derradeiro ato oficial da presidência alemã.

Luís Amado garantiu que Lisboa vai «dar cumprimento ao que foi acordado» na última Cimeira de Bruxelas sobre a revisão dos tratados europeus, apesar de o governo da Polónia, que se opôs até ao último momento a um acordo, reclamando mais poderes na ponderação de votos no Conselho Europeu, ter manifestado o desejo de renegociar alguns aspectos do compromisso, segundo a imprensa local.

«Se há algum mal entendido em relação ao que é hoje o texto do mandato, tem de ser esclarecido«, sublinhou o MNE português, na linha do que já tinha referido na sexta-feira o primeiro-ministro.

Passando aos grandes itens da presidência portuguesa, Luís Amado acentuou que a primeira Cimeira UE-Brasil, que colocará as relações do país irmão ao nível das relações europeias com a China, os EUA, a Índia e a Rússia, »marca o início de uma relação nova da União Europeia com o Brasil«.

Trata-se, acrescentou o MNE, »de uma parceria estratégica, em que para além das questões de interesse comum, estarão as questões da agenda global, que só podem ser encaradas hoje pela comunidade internacional com um forte envolvimento dos principais actores«.

Simultaneamente, a institucionalização das relações entre Bruxelas e Brasília ao mais alto nível »referencia o papel que Portugal assume no aprofundamento desta relação entre a União Europeia e o Brasil«, referiu Luís Amado.

O chefe da diplomacia portuguesa manifestou ainda a convicção de que apesar de alguns obstáculos ainda a ultrapassar, se realizará em Dezembro, em Lisboa, a segunda Cimeira União Europeia-África, que retoma o diálogo entre os dois continentes após um interregno de sete anos.

A última cimeira UE-África decorreu em 2000, no Cairo, na anterior presidência portuguesa da UE.

Desde então, fracassaram várias tentativas para organizar um segundo encontro ao mais alto nível, sobretudo devido às reticências colocadas à participação do presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, alvo de sanções da UE pelas violações de direitos humanos sob o seu regime.

O MNE português adiantou que se estão a criar as condições políticas para que a Cimeira tenha uma »agenda ambiciosa«, de comum acordo entre a parte europeia e a parte africana.

«Esperamos que a Cimeira tenha depois o nível de participação que nos satisfaça», disse Luís Amado, sem adiantar mais pormenores.

O chefe da diplomacia Lusa reconheceu ainda que, para levar por diante o encontro agendado para 08 e 09 de Dezembro, «há problemas políticos por resolver», sem enumerar quais.

Porém, a Cimeira UE-África «está adquirida», independentemente de um conjunto de situações sobre as quais temos de trabalhar bastante nos próximos meses«, garantiu Luís Amado.

Diário Digital / Lusa