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Os empresários brasileiros estão a pressionar o Congresso brasileiro e o Governo de Luiz Inácio Lula da Silva contra a adesão da Venezuela ao Mercosul, noticia hoje a imprensa local.

Os empresários temem que as posições políticas do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, atrapalhem as negociações comerciais do Mercosul com a União Europeia e com os Estados Unidos.

A adesão da Venezuela ao Mercosul já foi aprovada pelos governos dos países membros plenos do bloco (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), mas ainda depende da ratificação dos congressos brasileiros e paraguaio, salientou o jornal Valor Económico.

Os empresários têm dúvidas sobre as vantagens que vão obter com o ingresso da Venezuela no Mercosul, nomeadamente porque o ritmo de abertura da economia venezuelana aos outros membros do bloco económico não está definido.

Entre as associações patronais brasileiras contrárias à adesão da Venezuela ao Mercosul está a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a principal representante do sector industrial do Brasil.

Esta entidade manifestou as suas preocupações em carta enviada aos membros da Comissão de Relações Exteriores do Senado e aos ministros brasileiros das Relações Exteriores, Celso Amorim, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge.

A CNI admite, porém que as exportações brasileiras para a Venezuela têm registado um forte crescimento, cerca de 30 por cento apenas nos cinco primeiros meses deste ano.

No ano passado, o Brasil exportou 3,6 mil milhões de dólares para a Venezuela, um aumento de 60 por cento face a 2005, sendo mais de 3,2 mil milhões de dólares em produtos industrializados.

«A Venezuela é um mercado importante para o sector têxtil, mas não pode criar dificuldades para a abertura de mercados mais amplos», afirmou o director da Associação Brasileira da Indústria Têxtil, Fernando Pimentel.

A adesão da Venezuela ao Mercosul enfrenta igualmente resistência de senadores brasileiros, depois de Hugo Chávez ter afirmado recentemente que o Congresso do Brasil era «papagaio» dos Estados Unidos.

Hugo Chávez criticou o Congresso depois da aprovação de uma medida pelos parlamentares que pedia a revisão do encerramento da emissora Rádio Caracas de Televisão (RCTV).

A Associação Brasileira da Indústria Eléctrica e Electrónica (Abinee) sugeriu que as autoridades brasileiras sejam ouvidas para explicar as razões de uma adesão tão «rápida e incompleta» da Venezuela ao Mercosul.

Num comunicado aos senadores, a Abinee salienta que os parlamentares devem «saber defender os interesses nacionais e reprovar a entrada de Venezuela ao Mercosul nos termos negociados até ao momento».

«Sou totalmente partidário do ingresso de Venezuela no Mercosul, mas é um absurdo que paguemos o preço dessa adesão sem uma vantagem efectiva», disse o presidente da Abinee, Humberto Barbato.

A abertura do mercado venezuelano aos países do Mercosul está marcada para 2014, segundo as regras negociadas, mas Hugo Chávez ainda não informou qual será o ritmo dessa liberalização, assinalou o jornal Valor Económico.

Neste fim-de-semana, os presidentes dos países que formam o Mercosul participam numa cimeira em Assunção, no Paraguai, sem a participação de Hugo Chávez.

Diário Digital / Lusa