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O comércio binacional entre a República Dominicana e Haiti é totalmente desigual e fora de todas as normas. É o que diz um estudo realizado pela Solidariedade Fronteiriça para o Serviço Jesuíta aos Refugiados e aos Emigrantes (SJRM).

"É um intercâmbio desigual, uma vez que os haitianos importam produtos voltados a entrar em sua maior parte em seu país sem imposto ou com escassos impostos, enquanto que compram da República Dominicana, mercadorias e produtos agrícolas com um elevado custo", explica Juan de Rosário Santana, coordenador da pesquisa. Os resultados do estudo revelam que 2.765 haitianos e haitianas figuram entre os principais vendedores/vendedoras deste mercado. Sejam vendedoras/vendedores fixos e ambulantes ou compradores, são objecto de todo o tipo de abusos e são obrigados a vender os seus produtos a preços muito baixos. Segundo o estudo, a mulher haitiana desempenha um papel preponderante no que se refere à compra e venda de mercadorias essenciais à sobrevivência familiar, enquanto que os homens da República Dominicana são os que controlam os sectores de maior rentabilidade, com a especificidade de que procedem de outros lugares do país.  O espaço físico, as instalações sanitárias, o nível de salubridade do mercado são outros elementos em questão no estudo, que revelou que o mercado funciona de maneira caótica, com uma ausência de normas, de registos e sem concessão de espaço.  A exposição dos produtos de maneira desorganizada favorece a extorsão e o maltrato dos vendedores/vendedoras pelas autoridades civis e militares, indica o autor. 

O mercado binacional realiza-se todas as segundas e sextas-feiras e abastece outros comércios, tanto do lado haitiano como dominicano.

Adaptado de Adital