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O Fórum Económico Mundial (FEM) para a América Latina concluiu que o comércio internacional é a alternativa para a região crescer novamente, após a queda dos preços das matérias-primas.

Durante dois dias, em Medellín, presidentes e ministros de vários países latino-americanos, chefes de agências multilaterais e empresas, bem como mais de 600 empresários reuniram-se para discutir o futuro da região, atingida pela queda do preço das matérias-primas. Este fator tem sido particularmente decisivo para a América Latina que irá contrair 0,5% este ano, de acordo com previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI).

 

Perante esta situação, o FEM tem discutido o desenvolvimento do comércio internacional, apoiado pela tecnologia, como um caminho possível para a região progredir. “Nós temos que começar a ter a capacidade, como região, para aumentar a fasquia”, declarou o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, pressionando a América Latina para depender apenas de si mesma.

 

Uma opção para alcançar o objectivo passa por melhorar os acordos comerciais regionais, como fizeram recentemente Colômbia e Cuba, através de um acordo de comércio bilateral, que implica que 89% dos produtos colombianos entrem na ilha com tarifa zero. Entre os produtos incluídos no acordo de aprofundamento destacam-se carne, cacau, óleo, preparações de café, frutas e peixe, bem como têxteis e vestuário, automóveis, sabonetes e cosméticos, couro, eletrodomésticos, calçados, brinquedos, aço e materiais de construção, entre outros.

 

De acordo com o representante do Governo chinês para assuntos da América Latina, Yin Hengmin, a China continua a ser um forte parceiro, especialmente no que diz respeito aos produtos agrícolas. Yin assegurou que esses produtos podem ser “um novo ponto de crescimento entre a China e a América Latina” e salientou que há uma forte procura de produtos latino-americanos na China, o que aumentou as importações desses bens, da região, em 28,5 %, só no primeiro trimestre deste ano.

 

O acompanhamento do comércio pela tecnologia foi também um tema recorrente durante o fórum de dois dias exemplificado pelo presidente da Argentina, Mauricio Macri. “Devemos parar de ser o celeiro do mundo. Hoje nós produzimos alimentos para 400 milhões de pessoas, nós temos que passar a ser o supermercado, o que significa adicionar valor, tecnologia, marca, design.”, afirmou numa palestra dada com o seu homólogo Juan Manuel Santos. O Presidente colombiano também falou sobre o valor acrescentado e enumerou os segmentos para o investimento a longo prazo, que permitirão alcançar um “crescimento sustentável de larga duração”: infraestrutura, competitividade e tecnologia.

 

Para além da questão da tecnologia, outro grande tema que marcou de forma transversal o encontro foi a questão do combate à corrupção, uma das falhas da região e a qual teve uma das conferências dedicada.

 

A próxima edição do Fórum Económico Mundial da América Latina será realizada em Buenos Aires em 2017.

 

Fotografia: Yashnews.com