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No relatório “The Big Switch: Restoring Growth through Trade”, o Banco Mundial (BM) considera o comércio fator essencial para o crescimento futuro da América Latina.


Segundo o BM, os países da América Latina e das Caraíbas estão a começar a mostrar sinais de recuperação económica e um aumento no volume das exportações, que incluem produtos de maior qualidade.


Em 2016, é esperado que a economia da região contraia 1.1%, mas, logo no ano seguinte, o PIB regional deverá recuperar 1.8%. Esta subida deve-se ao crescimento expectável de 1.5% da América do Sul em 2017. É de destacar que o México, a América Central e as Caraíbas (uma sub-região que depende menos da exportação de commodities e está mais vinculada à recuperação económica dos Estados Unidos) vai manter-se com dados positivos neste ano (2.4%) e no próximo também (2.7%).


O relatório alerta para a redução constante dos preços das commodities exportadas pela região e avisa que não poderá depender tanto da procura interna para crescer, como fez durante os tempos em que os preços das matérias primas estavam mais altos. Para aumentar a atividade económica da América Latina, é crucial virar a atenção para os compradores externos.
No entanto, quando a região está pronta para fazer os esforços necessários e fortalecer a sua presença nos mercados internacionais, parece que o mundo vai na direção oposta, uma vez que o comércio global está em declínio devido à redução das importações por parte da China e do Leste Asiático.


A caída de preços das matérias primas, aliado a outros fatores externos, tem vindo a mandar abaixo as economias latino-americanas. Estas economias devem fazer reformas de modo a atingir o esperado para 2017, que será generalizado a toda a região, exceto à Venezuela.

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A menor procura da China e de outras economias internacionais e o aumento do interesse nos Estados Unidos da América afetaram as possibilidades de crescimento de toda a região latino-americana, região para a qual o Banco Mundial recomenda a transição para um novo paradigma económico.


A boa notícia para o subcontinente é que existem evidências de que os países latino-americanos estão a aumentar a produção de produtos transformados para exportar, inclusive produtos novos e de melhor qualidade, que encontram nichos de mercados nos Estados Unidos e na Europa. A região latino-americana tem também feito um esforço para substituir as importações de fora da região com produtos e serviços produzidos de maneira eficaz dentro da região. Os países com uma taxa de câmbio flexível têm ainda procurado diversificar as suas exportações e o destino das mesmas.

Os ajustes macroeconómicos pendentes concentram-se na América do Sul, onde estão localizadas a maior parte das economias exportadoras de commodities e que mais sofreram com a queda dos preços. Peru, Chile e Paraguai cumpriram os seus ajustes e agora podem concentrar-se noutras temáticas igualmente importantes como a luta por uma maior equidade social.

Os países que conseguirem equilibrar a sua macroeconomia, terão no futuro mais oportunidade para investir mais e melhor na educação e nas infraestruturas que são indispensáveis para suportar a mudança para uma maior produção de bens comercializáveis e de serviços. Sem esta mudança, vai ser difícil para a região alcançar os níveis de crescimento necessários para recuperar os ganhos sociais vistos no “boom” de commodities.


O Banco Mundial reitera assim a necessidade de uma grande mudança que consolide o crescimento esperado para 2017 na América Latina para ultrapassar a recessão em 2016 provocada pela baixa de preços das matérias primas, a falta de reformas estruturais e de novos setores produtivos orientados para a exportação.

Augusto de la Torre, economista chefe para a América Latina e as Caraíbas do Banco Mundial, recomendou que esta região invista numa maior exploração da integração regional, numa mudança produtiva nos setores de exportações e numa procura interna menos dependente do consumo. Para as economias sul-americanas, será muito importante fortalecer a procura externa com a incorporação de novos setores de exportação que complementem os de matérias primas.

A integração regional pode também criar uma região mais eficiente e pode ser uma das receitas para um maior potencial de crescimento latino-americano.

No entanto, há riscos para a não consolidação do crescimento latino-americano. Se o comércio internacional não recuperar, se o crescimento da China não for o esperado e se a procura externa reduzir muito mais, a América Latina vai ter ainda mais dificuldade em recuperar e melhorar a sua situação económica.