Notícias

Secretaria Geral Iberoamericana, Ministério dos Negócios Estrangeiros e AICEP unânimes no elogio à iniciativa “I Fórum Portugal – América Latina e Caraíbas”, organizada pelo IPDAL.

Foi na presença das principais instituições portuguesas com interesses na região, que o Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas (IPDAL) apresentou o relatório “Relações Portugal – América Latina e Caraíbas”.

O documento onde é feita a análise das relações económicas, políticas, diplomáticas, turísticas e culturais de Portugal com o subcontinente foi apresentado no dia 30 de Outubro. Na reitoria do ISCTE-IUL, usaram da palavra instituições como a Secretaria-Geral Iberoamericana (SEGIB), o Ministério dos Negócios, a AICEP ou o Instituto Camões, bem como as principais associações e empresas portuguesas, concordando que as relações com a América Latina estão ainda muito longe de atingir o seu verdadeiro potencial.

(Leia aqui a notícia da iniciativa no site do Diário de Notícias/Dinheiro Vivo: https://www.dinheirovivo.pt/economia/america-latina-podera-valer-5-do-nosso-comercio-externo/ )

Photo 30-10-17, 16 35 05 (1)

Tendo em conta que, nos últimos dez anos, as exportações portuguesas para a região praticamente duplicaram, representando 2,4% das vendas totais do país em 2016, o IPDAL defende que a médio prazo é possível voltar a dobrar esse valor, chegando-se aos 5%. De acordo com o Secretário-Geral do Instituto, Filipe Domingues, “existem condições económicas, políticas, sociais e culturais para atingir esse objetivo, devido ao crescimento económico que a esmagadora maioria dos países latino-americanos continua a registar e às vantagens comparativas – alicerçadas na partilha de uma matriz identitária, linguística, religiosa e cultural comum – de que Portugal goza historicamente”.

Durante a iniciativa, que teve o apoio da Garrigues e do BBVA, demonstrou-se que as relações comerciais de Portugal com a América Latina e Caraíbas têm crescido exponencialmente na última década, a uma média de 7% ao ano. Com efeito, entre 2007 e 2016, as vendas de Portugal para a América Latina e Caraíbas passaram de 738 milhões de euros (1,4% do total) para 1356 milhões de euros. O valor mais alto foi verificado em 2011, quando Portugal colocou 1975 milhões de euros em bens na América Latina, representando 3,3% do total das exportações portuguesas.

Photo 30-10-17, 16 35 06

O principal parceiro económico continua a ser o Brasil, responsável por 50% do comércio com o continente latino-americano e por mais de 80% do Investimento Direto Estrangeiro. No que diz respeito  a este indicador, temos assistido a uma diversificação dos setores, em ambos os sentidos. Os últimos dez anos viram a concretização de operações relevantes nas áreas da construção e obras públicas, grande distribuição, energias, hotelaria, indústria, agronegócio, farmacêutico, imobiliário e telecomunicações. Entre 2007 e 2016, os países que têm registado maior crescimento nas relações económicas com Portugal coincidem com os quatro da Aliança do Pacífico – México, Colômbia, Peru e Chile – a que se juntam Argentina e Venezuela.

De acordo com dados da Presidência da República e do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o IPDAL confirma um alinhamento das prioridades políticas com a dinâmica económica, sendo estes países os destinos mais recorrentes das visitas de Chefe de Estado e de Governo de Portugal.

Quanto à mobilidade estudantil, existem perto de 7000 alunos latino-americanos nas universidades e politécnicos portugueses, dos quais mais de 90% são brasileiros. O segundo país que mais envia estudantes é a Colômbia.

Relativamente à promoção cultural, Portugal conta com um total de nove Leitorados na América Latina, sendo que cinco são Protocolos de Cooperação e quatro são Leitorados de Português. Existem nove cátedras a serem lecionadas na América Latina, cinco delas em universidades no Brasil, uma na Colômbia, uma em Cuba, uma no México e uma na Venezuela.

No que diz respeito à livre circulação de pessoas, dos 33 países da região América Latina e Caraíbas, 24 estão isentos de visto para entrar em Portugal. Do total de turistas que visitam o país, somente 6% provêm da América Latina, sendo que apenas o Brasil é responsável por 5%. O país que tem registado maior aumento de turistas em Portugal é a Colômbia, com um crescimento de 42%, só de 2014 para 2015. Em sentido contrário, os países mais visitados pelos portugueses continuam a ser, por ordem decrescente, Brasil, México, República Dominicana e Cuba.

Na apresentação do relatório, estiveram presentes a Associação e a Confederação Industrial de Portugal, a Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal ou as câmaras de comércio bilaterais. Além dos embaixadores dos países latino-americanos, marcaram ainda presença representantes de grandes empresas como o chairman da TAP, o chairman da SOFID, o Diretor-Geral da Indra Portugal, administradores da Visabeira e do Grupo Pestana, ou a Diretora de Relações Externas da BIAL.

Estes dados reforçam a convicção do IPDAL – partilhada por todas as autoridades, empresas e associações presentes – de que é a América Latina é um continente incontornável para a afirmação dos interesses económicos, políticos, diplomáticos e estratégicos de Portugal no Mundo. Trata-se de uma região de 600 milhões de habitantes, com crescimento económico sustentado, com uma população jovem cada vez mais educada, abundantes recursos naturais – hídricos, alimentares, energéticos e minerais – onde a presença portuguesa é significativa o suficiente para demonstrar que os mercados são acessíveis, não estando ainda saturados.